Quem me conhece sabe que eu não vivo sem música, então um post desse não é grande surpresa. Mas não lembro de nenhum outro período onde ela fosse tão importante e recorrente na minha vida, em várias atividades – até porque durante boa parte do ano passado, eu mais busquei o silêncio do que qualquer outra coisa. Mas voltemos a dona música.

Esse ano, além da Éponge (que até o final desse ano deve terminar de mixar o bendito DVD e gravar algum material inédito em estúdio), tive que voltar às boas com o violão com o Noisquatro fazendo apresentações no Sesc Santos, Clube dos Ingleses, Unisanta e outros locais – e dia 25 tem mais;  continuei um projeto instrumental ainda sem nome com amigos de SP; toquei em diversas bandas, variando entre black, rock, pop, trash80 e punk. Fora isso, tenho um projeto de trilha sonora pra finalizar.

Éponge no Zinc Bar, Sp. 15/08/09

Éponge no Zinc Bar, Sp. 15/08/09

A despeito de boa parte dos meus “heróis” musicais fazer o perfil workaholic e tocar 150 projetos ao mesmo tempo, eu nunca fui fã dessa prática. Sempre preferi me concentrar em uma só atividade, e fazê-la bem. Fora que também me falta saco e disciplina pra estudar e ensaiar. Mas esse ano foi diferente: era normal chegar no estúdio e fazer 4 saudáveis horas de ensaio, cada metade com uma banda diferente, isso porque antes já havia feito outro ensaio com violão e voz. 5 dias de ensaio em 1 semana, 3 dias seguidos de apresentação. E claro, unhas quebradas, bolhas, calos e tendinites. Mas o resultado sempre compensa.

“Sim, mas e o quico?”

Essa overdose de música no meu dia-a-dia (sem contar o que eu já consumo diariamente ouvindo em casa, carro etc) já estava me fazendo matutar há algum tempo, motivo pelo qual resolvi reativar o blog e postar aqui, ao invés de aporrinhar o pessoal do twitter a cada 140 toques. O lance é que essa atitude de se cercar de música, apesar de parecer muito boa e saudável, me fez lembrar de uma HQ que li recentemente do Wolverine publicada nos EUA <–*aqui você já sente o drama do nerdy*

Resumindo a história pros não-iniciados, o Wolverine, na condição de personagem de SUCESSO da Marvel, aparece em quase todos os gibis da editora pra dar uma força nas vendas, e isso tem sido retratado com certo humor pelos próprios personagens, que se perguntam “como ele consegue aparecer em 5 equipes e 3 lugares diferentes ao mesmo tempo”, etc. Nessa história em especial, é mostrada essa rotina muito louca do Logan vivendo altas aventuras com uma turma do barulho, cada dia com um grupo, em um país e contra um maluco diferentes.

Eis que o Homem-Aranha, amigão da vizinhança e o equivalente da Marvel àquele amigo nosso meio boça que sempre tá lá pra dar um help, cola num bar onde nosso estimado Wolverine está de boa enchendo a cara. Entre muito mimimi e brigas idiotas de bar belamente ilustradas, Logan confessa, entre lágrimas, que passa a maior parte do tempo ocupado pra não pensar em todo o drama, perdas e coisas ruins que fez na vida (e que não foram poucas, já que ele tem mais de 100 anos).

puta mundo injusto, mêo

puta mundo injusto, mêo

No insight do Logão (na verdade, do escritor Jason Aaron), participar de vários grupos paralelos sem parar pra respirar é uma maneira de evitar ficar sozinho com os próprios pensamentos e memórias.  Do mesmo jeito que me entupir de projetos musicais pode ser uma maneira de evitar a mesma coisa: ser atormentado pelo próprio cabeção e tretas do passado e presente. De uma maneira bem menos auto-destrutiva, claro.

Mais do que fuga ou abstração, a música é uma chance de deixar a mente arejar. Você não precisa racionalizar, nem surtar em torno de um problema o tempo todo. É uma oportunidade de interagir e  passar pros outros o que se passa dentro de você – se é bom ou ruim, a escolha é sua…assim como também recebemos a energia alheia em forma de aplausos, palavras, xingamentos, tomates etc. Dito isso, a TENDENCIA é seguir ensaiando e tocando os projetos adiante,uma nota por vez. Não sou o melhor no que faço que nem o véio Logan, mas a gente chega lá.

Isso inicia a temporada 2009 deste blog. Que seja mais frequente que os anos anteriores, RS.

PS: pra saber mais sobre quadrinhos, consulte o MBB.

Após considerável enrolação e questionamento por parte de amigos, resolvi tomar vergonhar na cara e iniciar as atividades deste blog. O plano era esperar o Carnaval passar e ir preparando alguns textos sobre assuntos variados, links para coisas bacanas etc. Bom, a folia passou, mas adivinhe se eu preparei alguma coisa? Pois é…

Mas como esse é o post número zero, tá liberado.

Até o final da semana a casa estará em ordem. Aguardem!